Crítica – Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

O público do Mundo Bruxo criado por J.K. Rowling cresceu e acompanhando esse “envelhecimento”,  a autora entregou aos fãs uma nova série de aventuras, que é Animais Fantásticos. No próximo dia 15, o segundo filme da saga chega aos cinemas feito sob medida para fãs, mas com alguns deslizes.  Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald consegue sim entregar os elementos mágicos que qualquer fã  ama e espera, mas tropeça pelo excesso de narrativas.  O mago das trevas Gerardo Grindelwald, interpretado por Johnny Depp,  foi capturado no primeiro longa, mas usando suas habilidades, consegue fugir da prisão e livre, começa a reunir seguidores com propósitos bem sombrios.    Como já entregue pelo título, essa nova produção que é dirigida por David Yates, a partir de um roteiro de J.K. Rowling e gira basicamente em torno Grindelwald  e seus  planos e todas as artimanhas para reunir seguidores, que iludidos, nem desconfiam que a verdadeira intenção do mago é dominar e exterminar os seres não mágicos ( ou trouxas, como usado em Harry Potter).

De modo geral, o filme é uma excelente produção, mas o fato é que, na aposta de criar uma narrativa mais sombria e conseguir sustentar o suspense sobre os planos do mago das trevas,  o roteiro peca por exagerar na quantidade de conflitos.  Um deles é o forçado motivo que impossibilita que Alvo Dumbledore( Jude Law)  confronte diretamente Grindewald, necessitando do auxílio de Newt Scamander. Em segundo, o roteiro apresenta uma confusa trama para conseguir desmistificar a real origem de Credence ( Erza Muller).  Somado à esses dois pontos, o roteiro ainda apresenta um conflito a ser solucionado apenas nas cenas finais que envolve a família Lestrange.  Para conseguir acompanhar todos esses enigmas sem se perder, realmente é uma tarefa para fãs – mas mesmo assim,  o longa acaba se tornando excessivamente massante.  Deixando claro esses pontos que tendem para o negativo,  a produção conquista pela qualidade dos efeitos e mesmo sem total  foco criaturas fantásticas que Newt tanto idolatra,  é impossível não recomendar assistir a produção nos cinemas em 3D e IMAX,  já que tudo foi obviamente pensado para isso.     Outro ponto importante para destacar é que,  já foi confirmado que a saga de Animais Fantásticos terá ao todo cinco filmes e o pela forma como as histórias se entrelaçam ( além dos pontos negativos por deixar muita ponta solta e o excesso de informação),  esse segundo filme tem como objetivo ser uma ligação para produções futuras e que provavelmente irá revelar mais detalhes sobre a vida de Alvo Dumbledore até chegar aos episódios de Harry Potter.

Atuação –   A produção é mais sombria em diversos sentidos – tanto pela questões abordadas como propriamente nas apostas sobre figurinos e até otimização da iluminação nas cenas, que tem tons mais acinzentados. Visualmente, essa postura pode estar ligada diretamente ao envelhecimento do público – o público do Mundo Bruxo de Harry Potter cresceu e obviamente, os ganchos que os atraem também alteraram e esse tom muito mais dark e que mostra consequências diretas sobre as ações é um reflexo disso.  Newt continua sendo um personagem exemplar e insere na produção as doses cômicas, é protagonista em diversas cenas de ação e também nivela com questões dramáticas.  Entretanto,  Johnny Depp e Jude Law roubam a cena e merecem o posto de grande destaque da produção.  Seus respectivos papéis são o centro de toda narrativa. Na juventude, a produção mostra que Dumbledore e Grindewald era amigos e que por questões do destino, trilham caminhos distintos.  Jude Law consegue transparecer na versão mais jovem de Alvo as características já tão conhecidas do diretor de Hogwarts durante os episódios de Harry Potter. Johnny Depp emprega mais uma vez suas características únicas de atuação, mas de forma a construir realmente um personagem mágico e que coloca em muitos momentos o expectador em dúvida se ele é um vilão ou apenas é o mal interpretado da história.

O filme recupera mais uma vez o time criativo da primeira produção, incluindo o diretor de fotografia vencedor do Oscar Philippe Rouseelot (“Nada é Para Sempre”), o designer de produção vencedor de três Oscars Stuart Craig (“O Paciente Inglês”, “Ligações Perigosas”, “Ghandi”, franquia “Harry Potter”), a figurinista vencedora de quatro Oscars Colleen Atwood (“Chicago”, “Memórias de uma Gueixa”, “Alice no País das Maravilhas”, “Animais Fantásticos e Onde Habitam”), e o editor de longa data dos filmes de Yates, Mark Day (últimos quatro filmes “Harry Potter”). A trilha é do compositor indicado a oito Oscars James Newton Howard (“Um Ato de Liberdade”, “Conduta de Risco”, franquia “Jogos Vorazes”). Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald  tem estreia oficial  em 15 de novembro e distribuído mundialmente em versões 2D e 3D, em salas selecionadas; e IMAX.

 

Post Author: Vanessa Luckaschek

Formada em Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi, faz aniversário em Setembro e sempre está lendo alguma coisa. É fã de cinema, games, tecnologia e esportes. Gosta de escrever e sempre está em busca de pautas legais para uma próxima matéria. É editora no Caderno Nerd e responsável pela criação do site.

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