Crítica | Corpo Elétrico

Liberdade para quem quer simplesmente amar, é o que propõe a nova produção audaciosa de Marcelo Caetano. Trata-se de um filme que tem o desafio de encantar com suas personagens sem cair num estereótipo ou discurso moralista.

Elias é um homossexual  paraibano que trabalha numa fábrica de confecção de roupas. Elias também é esforçado, extremamente bem-resolvido e espontâneo. Deixa-se levar pela vida e aproveita cada minuto. Tentando conciliar o lado pessoal com o profissional, ele lida com diversos tipos de pessoas – desde sua chefe reservada até drag queens.

Envolve-se com seus colegas de trabalho e fala pouco de sua família, disfarçando os problemas com um sorriso. Entretanto, o filme não é sobre Elias.

É sobre amor. Elias é a ferramenta utilizada para andar em todos os mundos da sociedade e abraçá-los da melhor forma.

A proposta é subjetiva e cumpre bem o seu papel. O elenco atua com naturalidade, dando a impressão que qualquer uma das personagens pode ser alguém que você conheça. A narrativa é lenta, feita de forma suave e contando com muitas cenas fechadas, que se contrapõem com as abertas feitas da cidade de São Paulo.

O roteiro é poético e muito bem amarrado, apesar do final aberto. Não existe um ápice ou ponto de conflito a ser entregue de bandeja – este se esconde nas entrelinhas. Destaque especial para Kelner Macêdo (Elias) que nos faz sorrir a cada frase pontuada e longa olhada, seja para um outro ator ou para um simples objeto.

Outros nomes como Linn da Quebrada, Lucas Andrade e Márcia Pantera compõe o elenco diversificado e muito bem escolhido.

Uma das maiores inspirações que compõe a obra é o poema “Eu canto o Corpo Elétrico” de Walt Whitman, em que o autor celebra a beleza dos corpos, independente da idade, gênero, cor e forma. 

Participou de diversos festivais ao redor do mundo e ganhou o Prêmio Maguey no festival de Guadalajara, no México.
O filme mostra que, se expurgam os julgamentos, a cada encontro somos transformados e virados do avesso, mas é possível ver com leveza e otimismo.

A estréia é no dia 17 de agosto.

Post Author: Carolina Rodriguez

Jornalista recém-formada pela Anhembi Morumbi, 25 outonos. Ariana convicta e fã de astrologia. Leitora compulsiva, geek em tempo integral e cinéfila de carteirinha. Pouca vivência no mundo real e muitas visitas fantasiosas. Gosta de pensar que a vida é uma eterna catarse.

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