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CRÍTICA | HAN SOLO: UMA HISTÓRIA STAR WARS

Apesar de todos os problemas de produção do filme, o mais importante a se notar sobre “Han Solo: Uma História Star Wars” é que, mesmo com todo o tumulto divulgado nos bastidores da produção, culminando a substituição dos diretores Phil Lord e Chris Miller por Ron Howard (depois de quase todo o filme ter sido gravado pela dupla), recebendo todo o crédito pela execução do filme; o longa não é um desastre como sua polêmica produção sugere.

A trama se inicia muito antes de suas aventuras com Luke Skywalker, da princesa Leia e Tatooine. Han Solo vive como um fora da lei no planeta Corellia. Quando ele e a companheira Qi’ra (Emilia Clarke) roubam do chefe local, Lady Proxima (Linda Hunt) um pequeno frasco de coaxium, um mineral raro e valioso usado como combustível para naves estelar. Sonhando em se tornar um piloto, o coaxium é a garantia da liberdade de Solo e Qi’ra, a fim de escapar de Corellia. Mas após uma fuga quase vitoriosa Han consegue escapar, mas sua companheira é deixada para trás.

Infelizmente o filme tem seus problemas que não aconteceram somente nos bastidores. A escalação do ator Alden Ehrenreich no papel do carismático Han Solo não foi agradável para os fãs e nem para a crítica, mesmo assim ele consegue se sair bem. É evidente todo o esforço e sutileza que Ehrenreich teve em interpretar e expor todo o sarcasmo, o humor e todas as expressões tão conhecidas de um personagem tão emblemático para os fãs. Ainda mais porque seria impossível encontrar um ator que atuasse totalmente idêntico a Harrison Ford.

O início do longa é lento e o roteiro é gasto de forma desnecessária com respostas pouco interessantes sobre a origem do protagonista. A narrativa é cheia de buracos e rapidamente emendado em acontecimentos um atrás do outro. Mesmo sedo comum na franquia Star Wars, muitos acontecimentos precisavam de uma atenção redobrada o que acaba sendo esquecido sem dar chance ao público de se impactar e sentir toda a emoção que certos momentos melhor desenvolvidos poderiam causar. O longa é tecnicamente uma franquia Star Wars, mas parece que falta a Ron Howard empolgação nas cenas de perseguição e mais persuasão nas cenas mais dramáticas.

O elenco é uma história a parte, repleto de estrelas, o vilão Dryden Vos, interpretado por Paul Bettany é pouco desenvolvido, mas é interessante e intenso ao longo do filme. Vivido por Donald Glover, Lando Calrissian é quem consegue todas as melhores risadas do filme, além de mostrar um intrigante romance com seu droid L3-37 (Phoebe Waller-Bridge), que está envolvida em uma rebelião de robôs para libertar seus companheiros da escravidão eterna. A relação amorosa entre Solo e Qi’ra tem pouca faísca como o que tinha com a princesa Leia, que trouxe destaque aos longas antigos, mas não é culpa dos atores e sim do roteiro.
Han Solo é o primeiro filme da saga de Star Wars, sem uma única menção da força. O primeiro a ser indiferente a ampla política galática apresentada nos outros filmes. Mas mesmo assim, “Solo” mantém uma reverência quase religiosa pelo legado da franquia, e a história de espírito livre em seu centro é muitas vezes engolida pelo peso do passado.

Por fim Alden Ehrenreich conseguiu pregar o jeito arrogante de Ford, seu olhar auspicioso, e um carisma notável, embora o desempenho possa parecer um pouco de mimetismo qualificado. Ninguém sabe ao certo se o ator irá reprisar o personagem em Star Wars, mas um fora da lei como Solo precisa de um espaço maior para causar mais problemas por aí. Ao final do filme Ehrenreich consegue dar ao papel uma nota satisfatória.

 

 

Jornalista, cinéfila, amante da literatura. Além do CadernoNerd, também faz parte da equipe de redação da Revista Preview.