Crítica | O Florista

A comunidade LGBT vem ganhando voz onde só havia o silêncio, ainda que lentamente. É isso que mostra o curta-metragem “O Florista”, que critica de forma intensa e elegante o preconceito que aflige e mata muitas pessoas por causa de quem são.

Segundo pesquisas de revistas como Exame e Galileu, o Brasil é o país mais perigoso para quem não se classifica na nomenclatura de heterossexual ou cisgênero. Espelhando todo o preconceito que nos cerca, Filipi Silveira decide brincar com o oposto, empregando a lei de talião.

O curta mostra um serial-killer apelidado de “O Florista“. A maioria de suas vítimas são pessoas que praticam a violência física contra quem não se encaixe nos padrões da sociedade.

Com muitos closes fechadas e uso de recursos presentes nos animes, o curta foi lançado em 2012 e ainda se mantém atual. Premiado em diversos festivais, talvez as duas coisas mais impressionantes sejam o fato de ser brasileiro e a sua temática. Além disso, presta homenagem à personagens de mangás, como Cavaleiros do Zodíaco. 

A música também é um show à parte: cresce com a história, acompanha o caminho e se molda para um final surpreendente. Casa com a abertura minimalista, o ápice das personagens e se encaixa como uma luva. Arrepia desde de sua primeira nota.

Realizada no Centro -Oeste (MS)e em parceria com profissionais de São Paulo, a produção dá o seu recado de maneira bastante individual. Chama a atenção para um problema de gênero e o ponto extremo que pode chegar – para os dois lados.

O curta já participou de mais de 20 festivais e pode ser conferido no  canal do Youtube da Cerrado Films.

Post Author: Carolina Rodriguez

Jornalista recém-formada pela Anhembi Morumbi, 25 outonos. Ariana convicta e fã de astrologia. Leitora compulsiva, geek em tempo integral e cinéfila de carteirinha. Pouca vivência no mundo real e muitas visitas fantasiosas. Gosta de pensar que a vida é uma eterna catarse.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *