CRÍTICA | Um Lugar Silencioso

Dirigido pelo ator John Krasinski (The Office), “Um Lugar Silencioso” é seu terceiro trabalho como diretor. Com quase nenhum diálogo a falta do som é parte integrante da primeira tentativa de Krasinski embarcar nesse gênero de terror.

A trama gira em torno de uma família que vive num futuro apocalíptico invadido por criaturas, que ao captarem qualquer ruído são capazes de dilacerarem sua presa em segundos. Essa cuidadosa e estratégica navegação do silêncio e do ruído é o maior trunfo do filme, e quando explora essa tensão e a maneira como ela afeta tanto os personagens quanto os monstros, o resultado é vibrante e inovador. Talvez o único problema seja que o longa é minado pela trilha sonora intrusiva e melodramática de Marco Beltrami (Logan), que em muitas cenas dilui o peso de seu silêncio, ao mesmo tempo, que torna as cenas menos impactantes no lado mais emocional do filme.

Das folhas sussurrando na brisa ao som de pés descalços na areia, tudo o que se é ouvido tem um propósito – não há uma única nota desperdiçada. A direção eficiente e direta de Krasinski que também assina o roteiro e produção é realmente brilhante em vários momentos do filme. Montando uma sequência atrás da outra, enquanto ainda mistura com momentos mais sossegados para estabelecer o laço familiar importante em um filme. Ali ele é o patriarca da família que tenta ao máximo proteger sua esposa (Emily Blunt, casados também na vida real) e seus três filhos, um dos quais a atriz Millicent Simmonds (Sem Fôlego) é surda também na vida real, sua atuação sensível carrega muito o centro emocional do longa, que é em última análise, sobre o parentesco e o medo que nasce de não ser capaz de proteger seus filhos de todas as ameaças que se escondem do lado de fora da casa.

Vivemos em um mundo tão barulhento que é difícil imaginar que o som constante seja retirado. Tantos grandes filmes de terror são sobre pessoas que precisam se adaptar para sobreviver – eles têm que desafiar suas próprias inseguranças ou medos para sobreviver. “Um Lugar Silencioso” destrói os nervos, e apesar de sua premissa central, o longa é realmente muito barulhento. Você não sai do cinema andando como se tivesse experimentado um passeio emocionante, você sai tenso, o tipo de tensão que só é sentido nos melhores filmes de terror.

Post Author: Michele Alves

Jornalista, cinéfila, amante da literatura. Além do CadernoNerd, também faz parte da equipe de redação da Revista Preview.

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