Critica: Mogli – O Menino Lobo

Não faz muito tempo que diversos contos e animações que retrataram a infância de muitos adultos de hoje em dia retornam para as telonas numa versão mais real, diferenciada e viva. Os live-actions dos desenhos animados – principalmente clássicos da Disney – não param de chegar.

O mais recente deles é Mogli – O menino Lobo (The Jungle Book). Dirigido por Jon Favreau, que também assumiu as rédeas de Iron Man I e Iron Man II, o longa é aguardado fervorosamente pelos fãs do filhote de homem que foi criado pelos lobos e depois caçado pelo duque da selva, Shere Khan,  o tigre.

image020A adaptação é bastante fiel a sua obra original, tanto o conto quanto a animação de 1967. Quanto a essa excelência sem surpresas, não desagrada. Os efeitos especiais merecem destaques pelo comportamento dos animais retratados: desde a forma que eles se movem até seus trejeitos na hora de falar, com ruídos característicos das espécies.

A dublagem tem um chamariz especial, dando destaque para Scarlett Johansson no papel da tão enaltecida Kaa, a cobra. Scarlett sibila lentamente as frase do roteiro fazendo jus à voz misteriosa e atraente que possui.  O elenco também conta com Lupita Nyong’o no papel da mãe loba de Mogli, demonstrando autoridade e amor materno.

O papel principal, do menino Mogli, tem um nome desconhecido que agrada num geral. Neel Sethi, de apenas 10 anos, é carismático e convence como o garoto destemido e imprudente que não só vive na selva, mas a respira. O filme também trás em seu repertório aquela música que sempre vem na cabeça quando se fala de Mogli: somente o necessário.

Entoada pelo urso Baloo, dublado brilhantemente pelo Bill Murray, a canção é como deveria ser, um lema de vida para os que aplicam a filosofia carpe diem. Com muitas cenas de ação e alívios cômicos como tinha que ser, tem uma narrativa leve e envolvente que surpreende por mais que não seja uma história nova.

Os acontecimentos são previsíveis, mas ainda assim conseguem manter os espectadores olhando com toda atenção. A fotografia é um show à parte e o roteiro é bem amarrado, contendo algumas das falas originais da animação.

Entretanto, apesar da boa escolha de elenco, Mogli é um pouco menos moreno do que o esperado, o que tira alguns pontos no quesito representatividade.

O que pode vir a ser um problema é que os estúdios da Warner Bros também estão fazendo uma versão do clássico da selva, dirigido por Andy Serkis. O filme da Warner, no entanto, pretende apresentar mostrar os animais de uma forma mais realista, sem falas e grande aprofundamento de personalidade. Esta outra adaptação ainda não tem previsão de estreia.

De modo geral, mesmo com algumas falhas, o filme tem uma boa proposta e cumpre propósito da adaptação do desenho para o live-action. O longa estreia oficialmente em 14 de abril nos cinemas. 

Post Author: Carolina Rodriguez

Jornalista recém-formada pela Anhembi Morumbi, 25 outonos. Ariana convicta e fã de astrologia. Leitora compulsiva, geek em tempo integral e cinéfila de carteirinha. Pouca vivência no mundo real e muitas visitas fantasiosas. Gosta de pensar que a vida é uma eterna catarse.

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