Papo de Cabine – Crítica Esquadrão Suicida

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Vendo todos os trailers de Esquadrão Suicida e principalmente o que circulou na internet nos últimos meses, era quase certo que,   o principal da história já estava ali, de bandeja.  Graças à algum Deus que ouve os cinéfilos, isso passou longe de acontecer.   O filme mostra uma nova tentativa de Amanda Waller ( Viola Davis) de implementar a força tarefa X após a morte de Superman.    Com o respaldo do presidente, ela consegue levar esse plano a diante, contando para isso com algumas ajudas extras, incluindo a do Batman para capturar candidatos.  

Mas como o trailer não entregou tudo?  O trailer entregou muito, mas não  o principal.  A personagem menos citada é a que tem um espaço especial no filme – Magia (Cara Delevingne), uma bruxa que invade o corpo de June Moone – que no filme é uma arqueóloga,  e ,  em uma de suas pesquisas de campo tem contato com um artefato que permite a saída da mística criatura aos tempos atuais.   Pensou que o romance do filme rodava em torno de Arlequina e Coringa?  Errou!.    Sabendo da “vida dupla” de Moone, Waller consegue fazer com que o capitão Rick Flag(Joel Kinnaman), se aproxime da moça e se apaixone.  Com isso,  Waller tem em suas mãos o poder da Bruxa por um tempo.  Disposto a por um fim nas transformações entre Magia e Moone,   Flag aceita a ordem de Amanda para liderar o Esquadrão  Suicida, durante uma invasão  de servos da Bruxa.    

Sobre o Coringa é algo para se pensar dentro de termos de amor e ódio.  O “novo” Coringa em nada se parece com a versão sombria  de Heath Ledger.    Jared Leto traz um Coringa muito mais alucinado,  o que pode ser justificado com sua estadia em Arkham.  De fato, é algo difícil de conciliar logo de cara, mas ao pensar até faz sentido – passar anos presos em Arkham deve surtir efeito, incluindo os tratamentos com diversos medicamentos.  Naturalmente, não era de se esperar algo com sangue frio.   Mesmo tendo esse ponto como argumento,  passa pela cabeça a vontade de saber como seria o Esquadrão Suicida tendo um Coringa sombrio.   

A atuação de Will Smith também surpreendeu como Pistoleiro.  Em jogo não está a luta entre heróis e viões, ou  bem ou mal. Em cena, está a disputa entre o que é mal e o que consegue ir um nível a cima – diabolicamente mal.  Dessa forma, nada mais sensato de até o maior assassino expor seu lado mais sensível.   Mesmo  tendo algumas expressões que não convencem,   Smith dá ao seu personagem um novo padrão para o Pistoleiro.   Arlequina também não pode ser deixada de lado.  Mesmo apaixonada por Coringa, a vilã consegue reconhecer o valor dos amigos e do grupo  e entra com força total na luta.    

Chegando aos cinemas com pouco mais de 4 meses de diferença  do lançamento de Batman Vs Superman: A Origem da Justiça, o longa consegue ser mais atrativo que o grande confronte em os heróis.   A escolha de elenco também é um ponto forte, assim como  trilha sonora  – que conta com clássicos do rock,  e até mesmo roteiro, que está bem aceitável já que Esquadrão Suicida não tem uma HQ base.  Vale lembrar que mesmo personagens  não tão conhecidos como Slipknot , o Amarra em português foram trazidos para o longa.  

De pontos negativos,  a direção leva alguns cartões vermelhos. Mesmo após inúmeras criticas aos excessos de explosões sem motivo em Batman vs Superman. O erro do excesso se repete, desta vez com o uso de muito efeito  neon  tantos no cenário como em letreiros, que tiram em algumas cenas o foco da atenção para o que realmente importa.    Também ficou visível que algumas cenas sofreram bruscos cortes – até mesmo para uma possível versão estendida do filme. De qualquer modo, nada redime que o os cortes ficaram feios e sem qualquer sutileza. 

Mesmo com os “defeitos”, vale a pena conferir o filme por ser um novo episódio no caminho da DC, que contrário da Marvel, ainda se mostra perdida sobre como direcionar as narrativas de seus personagens e até mesmo padronizar um estilo para direção.

 

Post Author: Vanessa Luckaschek

Formada em Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi, faz aniversário em Setembro e sempre está lendo alguma coisa. É fã de cinema, games, tecnologia e esportes. Gosta de escrever e sempre está em busca de pautas legais para uma próxima matéria. É editora no Caderno Nerd e responsável pela criação do site.

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