Masp recebe exposição Toulouse-Lautrec

A vida para quem vê de fora pode até parecer divertida, mas a rotina é a morte da fantasia. Essa é a proposta da mostra que está em cartaz...

A vida para quem vê de fora pode até parecer divertida, mas a rotina é a morte da fantasia. Essa é a proposta da mostra que está em cartaz no Masp. “Toulouse-Lautrec em vermelho”, reúne 75 obras e 50 documentos. A exposição retrata os famosos salões luxuosos “maison close” parisienses, nas quais, Toulouse-Lautrec passou boa parte de sua vida pintando os mais diversos cenários de diversão adulta. Quem assistiu ao Moulin Rouge saberá muito bem, um retrato íntimo da maravilhosa Belle Époque.

De origem aristocrática francesa, Henri de Toulouse-Lautrec foi um dos artistas pós-impressionistas mais importantes da virada do século 19 para o século 20. Na época, seu destaque ocorrera principalmente por obras litográficas que eram encomendadas para divulgar os deslumbrantes cabarés franceses, entretanto, Henri não era somente um prestador de serviços, ele também era um frequentador assíduo dos bordéis e um boêmio nato com uma vida desregrada.

Ambassadeurs: Aristide Bruant, cartaz (1892)

Se a ironia é o pudor da existência, Toulouse-Lautrec retratou-a muito bem. Seu interesse na vida alheia, de forma não pejorativa, era uma admiração tão íntima que a melancolia é constantemente representada na forma de monotonia nos rostos das várias damas e dançarinas, o que contrasta com toda aquela malícia e espírito de diversão representados pelos cabarés. Talvez esse interesse pela vida dos outros fosse uma tentativa de compensar a sua própria existência, já que se não bastasse sua anormal condição física, ele contraíra sífilis agravando seu alcoolismo, posteriormente, sua morte prematura.

La Goulue chegando no Moulin Rouge (1892)

Aos conservadores e pseudocríticos que julgam o que é arte e que insistem em desmerecer obras que não seguem padrões realistas ou clássicos, saibam que a capacidade de abstração foi resultante da própria tecnologia, como a fotografia, que retirou do artista a responsabilidade de somente copiar e lhe deu liberdade para expor a sua perspectiva de mundo, suas emoções.

Toulouse-Lautrec revolucionou a arte e o design gráfico derivados do momento histórico que alguém jamais viu, a Belle Époque foi o divisor de águas que separou o mundo clássico do moderno. As ciências, a arte e a cultura inspiraram novas percepções da realidade culminando numa sociedade científica e cosmopolita. E lá estavam os cabarés para acolher a nova e massiva classe burguesa em busca de diversão e depravação, e lá também estava Henri Toulouse-Lautrec que acompanhou e viveu intensamente o refúgio social aristocrático, retratando como ninguém a vida e o sacrifício das damas da noite, a quem, ironicamente, mantinham como trabalho a diversão dos trabalhadores.

Baile no Moulin Rouge – 1890 – óleo sobre tela

800px-Henri_de_Toulouse-Lautrec_005A exposição “Toulouse-Lautrec em vermelho” está em cartaz no MASP de terça-feira a domingo até 1 de outubro de 2017. Os ingressos custam 30 reais (inteira) e 15 reais (meia), entrada franca às terças-feiras.

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