Crítica | It – A Coisa (2017)

Misture nostalgia, efeitos visuais, maior classificação etária e um pouco de CGI (mas não abuse), cubra com bons alívios cômicos e sirva. Cuidado com o hype, ele não engorda...

Misture nostalgia, efeitos visuais, maior classificação etária e um pouco de CGI (mas não abuse), cubra com bons alívios cômicos e sirva. Cuidado com o hype, ele não engorda mas mata.

O remake de “It – Uma Obra Prima do Medo”, que por sua vez, adaptado do livro homônimo de Stephen King conta a história de 7 amigos auto intitulados “Losers Club”, eles são assombrados por uma estranha entidade que, de tempos em tempos aterroriza a cidade de Derry. Portanto, o grupo decide enfrentar “A Coisa”. O ano é 1988.

A trama retrata o medo intrínseco de cada indivíduo, consequentemente, sua superação. Quase como um terror “lovecraftiano”, essencialmente It não possui forma física, ele adota a fisionomia do medo de cada vítima, mas é usualmente visto como o palhaço Pennywise. Referência a John Wayne Gacy, o famoso serial killer conhecido como “palhaço assassino”. Vale destacar que Stephen King baseia-se bastante em ícones da cultura pop e também nas histórias de H.P Lovecraft.

O filme dirigido por Andrés Muschietti (diretor de Mama – 2013) apresenta um tom descontraído que sabe alternar entre comédia e horror, entretanto, desenvolve poucos personagens. Os atores Finn Wolfhard (Richie) famoso por interpretar o Mike em Stranger Things, e Jack Dylan Grazer (Eddie) são, de longe, os melhores personagens, quase todos os alívios cômicos são deles. Os atores Jeremy Ray Taylor (Ben), Wyatt Oleff (Stan), Chosen Jacobs (Mike) e Nicholas Hamilton (Henry) são mal aproveitados. Destaque para Henry, que possui momentos chave na história. Já a personagem de Sophia Lillis (Beverly) está muito boa, ela trabalha muito bem a sagacidade de uma garota atormentada e forte ao mesmo tempo, totalmente diferente da Bev de 1990. Jaeden Lieberher (Bill) é o líder do grupo e também o personagem mais chato do filme.

Vale ressaltar a dissonância entre o Pennywise de 1990 interpretado por Tim Curry e o Pennywise de Bill Skarsgård, o primeiro é muito mais desenvolvido, ênfase para as falas sarcásticas e a gargalhada única que viraram símbolos do personagem. Já o segundo, embora totalmente insano, ele não possui características originais apelando também para o CGI e efeitos visuais.

A trilha sonora poderia ter sido muito mais aproveitada com músicas datadas dos anos 80, tendo como exemplo Guardiões da Galáxia em sua contemporaneidade. Ora ou outra It – A Coisa faz referência à banda New Kids on the Block. Entretanto, os efeitos sonoros estão ótimos, as variações de sons daquelas caixinhas de músicas, crianças cantando ciranda (ao melhor estilo Um, dois, Freddy vem te pegar) e músicas circenses criam uma atmosfera sombria.

O filme não apela para jump scares e cria todo o contexto e ambiente para a para o terror. Destaque para a cena do retroprojetor. QUE CENA…

Ainda que a retratação do medo de Richie tenha sido jogada no pior estilo para preencher roteiro, boa parte das demais foram bem trabalhadas dando camadas aos personagens. Beverly é o melhor exemplo.

Apesar de ambas versões serem apenas adaptações do livro, não há consenso sobre qual dos longas é mais fiel ao original. O remake está muito mais violento e explícito, visto logo no primeiro ato, em que Georgie irmão mais novo de Bill é morto por Pennywise. Além disso, temas frágeis como racismo, pedofilia, violência doméstica e bullying são bem melhores retratados. Proeminência mais uma vez para Bev, que retira as características de fragilidade e inocência e dá uma boa emancipação à personagem feminina do grupo.

Assim como seu antecessor, o filme terá uma sequência dos personagens adultos e, até aqui, “It – A Coisa”, não inova no gênero mas traz consigo um novo Pennywise e ótimos alívios cômicos, além disso as cenas de terror estão excelentes.

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