Crítica – O Rei Leão (2019)

Cenários incríveis, músicas envolventes, personagens críveis e, principalmente, respeito ao legado, essas são as palavras que melhor descrevem esse remake – se é que podemos assim chamar – de...

Cenários incríveis, músicas envolventes, personagens críveis e, principalmente, respeito ao legado, essas são as palavras que melhor descrevem esse remake – se é que podemos assim chamar – de O Rei Leão.

O filme traz uma versão mais realista do que a animação, uma escolha do diretor que nos transporta para um mundo onde conseguimos crer que leões, hienas, javalis, babuínos, suricates e calaus não só falam, riem e contam piadas, mas também mantêm relações de amizade, amor, hierarquia e respeito entre si. Não vá ao cinema pensando em como seria incrível ver o Timão dançando a hula, mas, sim, na fantástica relação de amizade entre ele e Pumba, uma das duplas mais icônicas do cinema.

A primeira cena impacta com um dos melhores CGs que já vi. Cada pedacinho das Terras do Reino, cada raio de sol batendo na Pedra do Rei, cada reflexo nos olhos dos animais foi feito em CG, um trabalho digno da magnitude dos estúdios Disney, mas que traz o olhar diferenciado do diretor Jon Favreau, com seus ângulos e movimentos de câmera que precisam ser exaltados.

Os personagens são um capítulo à parte e eu poderia ficar por horas falando como a construção deles como animais de verdade é rica e incrivelmente bela. Desde o início você deseja ser governado por um rei tão justo quanto Mufasa, ser aconselhado pelo sábio Rafiki, ter a maternal Sarabi do lado, desfrutar das aventuras de Simba e Nala, contar com o respeito e lealdade de Zazu e, claro, com a amizade de Timão e Pumba.

As vozes foram motivo de muita discussão em todo o mundo e claro que é reconfortante escutar James Earl Jones como Mufasa novamente, todos os novos escolhidos estão à altura dos seus personagens. Destaque para as hienas Shenzi (Florence Kasumba) – muito mais severa e centrada do que a da animação – Azizi(Eric André) e Kamari (Keegan-Michael Key) – alívios cômicos menos exagerados que Banzai e Ed, mas que permitem àqueles que assim preferirem imaginar que a outra dupla continua na alcateia. Scar também vem repaginado, mas continua sendo um vilão de verdade, daqueles que todos usam como referência, e a voz de Chiwetel Eliofor casou muito bem com o realismo da nova versão. Donald Glover (Simba adulto), John Oliver (Zazu), Seth Rogen (Pumba), Billy Eichner (Timão), John Kani (Rafiki), JD McCrary (Simba jovem), Shahadi Wright Joseph (Nala jovem) e AlfreWoodard (Sarabi) entregam exatamente o que prometem: vozes de altíssima qualidade e carregadas de emoção. Já Beyoncé (Nala adulta) foi uma surpresa, pois trouxe não só uma potência vocal incrível para as músicas da personagem, como também uma interpretação de qualidade nos demais momentos.

E o que dizer da trilha sonora? Cheguei sem saber exatamente o que esperar e fui tomada pela emoção. Impulsionadas pelo tom mais realista do filme, todas as cenas com músicas foram repaginadas, mas são gostosas de ouvir e incrivelmente lindas. Mais uma vez a Disney trouxe Elton John e Hans Zimmer, mas o tom moderno de Pharrell Williams é claramente percebido.

Assisti à versão legendada em 2D e saí do cinema pronta para rever em 3D, 4D, dublada e o que mais aparecer. O Rei Leão é um filme para ser assistido, respeitado e reverenciado como obra por si só, sem a necessidade de comparações.

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