Crítica | IT: Capítulo Dois

Chega aos cinemas hoje a tão aguardada sequência do fenômeno que levou muitos amantes do terror ao delírio. It : Capítulo 2 vem para encerrar a adaptação mais recente...

Chega aos cinemas hoje a tão aguardada sequência do fenômeno que levou muitos amantes do terror ao delírio. It : Capítulo 2 vem para encerrar a adaptação mais recente do clássico livro de Stephen King, mostrando a vida dos protagonistas 27 anos depois de seu traumático encontro com o palhaço Pennywise.

Com um visual mais maduro, mas com piadas que remetem a infância dos anos 80, a continuação traz mais elementos sobrenaturais e surreais do que o filme anterior, marca incontestável do autor, sem se estender muito em explicações ou em teorizações. O mundo somente é o que é, habitado por seres terríveis e com situações inexplicáveis, e esses personagens, agora adultos, tentam minimamente entender suas regras para derrotar de vez seus piores medos.

Mesmo que 27 anos tenham se passado, muitas coisas não mudaram para o Clube dos Otários. O filme retrata de forma inteligente o quanto as situações que atormentavam os jovens quando crianças ainda perduram em suas vidas adultas – e que o que os atacou no verão de 1988 não estava de vez destruído, mas sim encubado. Agora, com novas ferramentas e mais experientes, eles são capazes de ir mais fundo nos porões do esgoto, remexendo em um passado turbulento e, por vezes, doloroso.

Os personagens quando crianças ainda aparecem nessa sequência, agregando bastante para a sensação de que os protagonistas então integrando as lições do passado no momento presente. Essa nostalgia, unida com a necessidade de crescer e assumir responsabilidades para enfrentar situações difíceis, torna a temática bastante apelativa para o público jovem. A grande metáfora de “tornar-se adulto” volta com toda a força, mostrando que nunca é tarde para abandonar velhas crenças e revisitar traumas, mesmo que eles sejam tão assustadores quanto um palhaço de sorriso macabro.

Estruturalmente, It, Capítulo 2 se assemelha muito ao filme anterior, obrigando novamente seus protagonistas a enfrentarem seus medos de frente, o que pode tornar a experiência um pouco repetitiva. Além disso, Pennywise assume diferentes formas para aterrorizar os adultos, assim como no capítulo 1, mas desta vez tivemos poucas oportunidades de vê-lo em sua forma original de palhaço, o que para alguns pode fazer falta. No entanto, o filme compensa em criar uma sensação de constante tensão, com uma garantia de muitos sustos e pulos da cadeira.

Se considerarmos que essa é uma adaptação de uma obra bastante complexa e que as expectativas do público estavam bastante elevadas, podemos dizer que o produto final faz jus a esse legado, respeitando esse universo e seus personagens. Vale a pena conferir o reencontro do Clube dos Otários e seus esforços para se tornarem adultos e permanecerem juntos, pois só encarando seus medos de frente é que podemos perceber, de verdade, que eles não são tão grandes assim.

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